O Reforma com Ciência insere-se conscientemente na tradição intelectual da Reforma Protestante, compreendida não apenas como um movimento eclesiástico, mas como um acontecimento de profundas consequências culturais, educacionais e civilizacionais.
Desde a Reforma do século XVI, a fé cristã reformada afirmou a soberania de Deus sobre toda a realidade e reconheceu que não existe esfera da vida humana, seja teológica, científica, política ou cultural; que esteja fora de Sua autoridade.
Esse horizonte foi desenvolvido de maneira madura na tradição reformada clássica e, posteriormente, aprofundado por pensadores que articularam de forma rigorosa a relação entre fé, conhecimento e vida pública.
A concepção de uma cosmovisão cristã abrangente, capaz de integrar todas as áreas do saber, encontra expressão clara no pensamento de Abraham Kuyper, para quem o cristianismo constitui uma visão total da vida.
A ênfase na unidade orgânica do conhecimento, na formação integral do ser humano e na harmonia entre graça e natureza foi desenvolvida de modo magistral por Herman Bavinck.
Já a crítica à pretensa neutralidade da razão e a exposição dos fundamentos pressupostos de todo pensamento foram articuladas de forma decisiva por Cornelius Van Til, ao demonstrar a impossibilidade de uma epistemologia autônoma e religiosamente neutra.
Com Van Til, você entende a anti-neutralidade, verdade objetiva. Com Bavinck, você entende a formação integral, unidade orgânica. Com Kuyper, você aprende biblicamente que há uma cosmovisão abrangente, vida pública.
Ao assumir essa herança, o Reforma com Ciência não busca reproduzir modelos do passado de forma acrítica, nem se limitar a um exercício acadêmico abstrato. Antes, propõe-se a recuperar e aplicar, de modo responsável e contemporâneo, os fundamentos intelectuais da tradição reformada para a formação educacional, cultural e moral em nosso tempo, em fidelidade à verdade objetiva, à ordem criada e à responsabilidade diante de Deus e da sociedade.